Mobilidade: Menos estresse, menos poluição
“O usuário de automóvel não percebe o custo que impõe ao restante da sociedade por sua decisão de entrar no fluxo de tráfego”, resume Luiz Carlos Ramos Paim, engenheiro mecânico e consultor especializado em transportes da Câmara Legislativa de Brasília. Menos automóveis nas ruas, a mudança da ênfase no transporte individual para o transporte coletivo e soluções que privilegiam o deslocamento não motorizado são ideias que vão impactar toda a coletividade – da qualidade de vida de motoristas e pedestres ao ar que respiramos nas grandes cidades.
A bicicleta e a caminhada devem ser complementares ao transporte público. Por outro lado, os donos de automóveis devem ser convencidos – com o aumento da eficiência do transporte público – a deixar seus carros na garagem. “Teríamos ganhos relevantes em termos econômicos e ambientais, pela retirada de tráfego desses veículos”, acredita Paim. Mas isso tudo deve ser precedido de uma mudança de paradigma sobre o respeito que temos uns aos outros. “As pessoas que estão submetidas às regras das vias públicas e do espaço público não aprenderam a ser igualitárias”, afirma o antropólogo Roberto da Matta, autor de Fé em Deus e pé na tábua – Como e por que você enlouquece dirigindo no Brasil, estudo sobre o caos no trânsito das grandes cidades brasileiras.
Por mais que o transporte não motorizado seja, à primeira vista, ideal – baixo custo, saudável, não poluente, energeticamente eficaz –, a mobilidade urbana baseada em motores de combustão ainda será uma realidade por muito tempo. E há gente pensando em minimizar o impacto dessa realidade para as gerações futuras. “No Brasil, temos um histórico de pioneirismo na pesquisa de combustíveis que emitam menos gases poluentes”, explica Tadeu Cordeiro, consultor sênior da gerência de Desempenho de Produtos em Motores do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). No Laboratório de Ensaios Veiculares (LEV), onde Tadeu trabalha, a companhia testa novos produtos que agridam menos o meio ambiente, como a gasolina Podium, que possui menor teor de enxofre, além de aditivos que aumentam a vida útil e a “limpeza” dos motores de combustão interna. O LEV também foi pioneiro no Brasil ao experimentar, ainda em 2002, a primeira geração de carros híbridos (eletricidade e combustão) a chegar ao País.










